domingo, 3 de novembro de 2013

Black Sabbath - Never Say Die

Em novembro de 1977, enquanto ensaiando para o próximo álbum, e poucos dias antes da banda entrar em estúdio, Ozzy Osbourne sai da banda.  “Os últimos álbuns do Sabbath foram muito deprimentes para mim”, disse Ozzy.

Foi trazido para ensaios o vocalista do Fleetwood Mac e Savoy Brown, Dave Walker, e a banda começou a escrever novas canções. O Black Sabbath fez sua primeira e única aparição com Walker nos vocais, tocando uma versão embrionária da música “Junior’s Eyes” no programa de TV “Look Here!” da BBC.
Ozzy inicialmente tenta formar um projeto solo, que teria os membros da banda Dirty Tricks John Frazer-Binnie, Terry Horbury, e Andy Bierne. Assim que a nova banda começa os ensaios em janeiro de 1978, Ozzy muda de ideia e volta ao Sabbath. “Três dias antes de entrarmos em estúdio, Ozzy quis voltar à banda”, explicou Iommi.

Porém, Ozzy se recusa a gravar qualquer material escrito com Dave Walker. Como disse Tony Iommi “Ele não cantaria nada do que escrevemos com o outro cara, o que tornou tudo muito difícil. Entramos em estúdio basicamente sem músicas. Escrevíamos de manhã para podermos ensaiar e gravar à noite. Foi tão difícil porque você não conseguia ter tempo para refletir nas coisas. ‘Isso está certo? Isso está trabalhando direito?’ Foi muito difícil para eu vir com as ideias e juntá-las rapidamente”.
A recusa de Ozzy atrasa o processo de gravação da banda, e banda reescreve quase todas as músicas, para a gravação do álbum. 


A banda passou 5 meses nos Estúdios Sounds Interchange, em Toronto, Canadá, escrevendo e gravando o álbum Never Say Die! Levou bastante tempo” disse Iommi. Estávamos ficando realmente drogados, usando muita droga. Íamos às sessões, e porque estávamos muito chapados, tínhamos que parar. Ninguém conseguia fazer nada direito, estávamos em todo lugar, todos tocando uma coisa diferente. Nós voltaríamos e dormiríamos, e tentaríamos novamente no dia seguinte.

O álbum Never Say Die! é o oitavo do Sabbath, e foi lançado em setembro de 1978, alcançando o número 12 no Reino Unido, e o nº 69 nos EUA.

O álbum é o último da banda com o vocalista Ozzy Osbourne, até o álbum 13, de 2013. Ozzy criticou o álbum e a decisão de gravá-lo em Toronto, dizendo em uma entrevista em 1981 que “O último álbum que fiz com o Sabbath foi o Never Say Die e foi o pior trabalho que já fiz com alguém. Tenho vergonha desse álbum. Acho que é nojento.Ele afirmou que a banda viajou para Toronto, em janeiro, durante temperaturas abaixo de zero “puramente porque os Rolling Stones gravaram um álbum ao vivo lá...

A capa foi novamente feita pela Hipgnosis. O avião na capa parece ser um T-6 Norte Americano do Texas.

O álbum traz vários elementos e influências de Jazz, diferente de outros álbuns da banda que flertam mais com o Rock Progressivo. E também o álbum está mais com cara de hard rock do que heavy metal.

O álbum contém os singles “Never Say Die” e “A Hard Road”. Ambas entraram no top 40 do Reino Unido, e a banda fez sua segunda aparição no programa Top of the Pops, tocando Never Say Die.

O álbum foi duramente criticado pela imprensa e pelos fãs, e músicas como "Air Dance" e "Breakout" viraram motivo até mesmo de chacota entre os fãs mais assíduos da banda, que desejavam uma volta ao seu peso original.

A resposta da imprensa foi desfavorável, e não melhorou com o passar do tempo, com Eduardo Rivadavia da Allmusic escrevendo duas décadas depois do lançamento que “as músicas (do álbum) sem foco perfeitamente refletiram os problemas pessoais da banda e o abuso de drogas“.

A turnê do álbum (que também comemorava os 10 anos da banda) começou em maio de 1978, e a banda de abertura foi o Van Halen. Críticos chamaram a performance do Black Sabbath de “cansada e sem inspiração”, um forte contraste à “vigorosa” performance do Van Halen, que estava em turnê mundial pela primeira vez. Há um show filmado no Hammersmith Odeon, em junho de 1978, que mais tarde foi lançado em DVD com o título Never Say Die.

O maior show da turnê teve que ser cancelado depois que Ozzy não apareceu para cantar, pois estava dormindo bêbado num quarto do hotel em que a banda estava hospedada.

O show final da turnê, e a última aparição de Osbourne com a banda (até reuniões posteriores) foi em Albuquerque, Novo México, EUA, em 11 de dezembro de 1978.

Outro fator que contribuiu para o final da turnê foi que a banda - em especial Tony Iommi - fazia longas sessões de improviso nos shows, que duravam aproximadamente 1 hora, e irritava muito Ozzy, que mais tarde declarou: "Eu sempre vi o Black Sabbath como uma banda de Rock! Iommi queria dar outro segmento à banda, o Sabbath não é uma banda de Jazz, e sim de Rock!".

Após a turnê, o Black Sabbath retornou a Los Angeles e novamente alugou uma casa em Bel Air, onde eles permaneceram cerca de um ano trabalhando em material para o álbum seguinte. Com a pressão da gravadora, e frustações com a falta de ideias de Ozzy, Tony Iommi tomou a decisão de demitir Ozzy em 1979.

Naquela época, Ozzy tinha chegado ao fim”, disse Iommi. “Estávamos todos usando muita droga, muita cocaína, muito de tudo, e Ozzy estava ficando bêbado demais nessa época. Nós tínhamos que estar ensaiando e nada estava acontecendo. Era como ‘Ensaio hoje? Não, faremos isso amanhã.’ Realmente ficou tão ruim que não fazíamos nada. Fracassou.

O baterista Bill Ward, que era próximo de Ozzy, foi escolhido por Tony para dar a notícia ao vocalista. “Eu espero que eu tenha sido profissional, eu posso não ter sido, na verdade. Quando estou bêbado eu sou horrível, eu fico horrível,” disse Ward. “O álcool foi definitivamente uma das coisas mais prejudiciais ao Black Sabbath. Estávamos destinados a destruir um ao outro. A banda estava tóxica, muito tóxica.

Ozzy saiu da banda e formou sua própria banda, inicialmente com o nome The Blizzard Of Ozz com o guitarrista Randy Rhoads. Notícias diziam que um completamente desiludido Geezer Butler havia anunciado sua saída do Sabbath, mas logo retornou juntamente com o ex-guitarrista e tecladista do Quartz, Geoff Nicholls. Para substituir Ozzy nos vocais, foi chamado Ronnie James Dio, que tinha acabado de sair do Rainbow.

Ozzy chegou a dizer, a respeito de Dio, que “Acho que Ronnie Dio terá que usar colete à prova de balas se ele chegar lá cantando Iron Man e Paranoid”.

Com o novo vocalista, a banda gravaria um de seus álbuns mais pesados desde os meados da década de 1970, Heaven and Hell.

Como conheci este álbum? Hmm, salvo engano, não me lembro de ter ouvido alguma música do Never Say Die, antes de comprar o cd para minha coleção. E, como louco que sou, ou como apreciador da boa música, gostei desde a primeira ouvida.

Todas as canções estão creditadas a Iommi/Osbourne/Butler/Ward.


* Never Say Die: um dos clássicos da banda, no Reino Unido atingiu o nº 21 das paradas, e deu à banda uma aparição no programa Top of the Pops. A banda apareceu 2 vezes ao vivo no estúdio, fazendo playback. Uma dessas aparições foi incluída no vídeo oficial The Black Sabbath Story Vol. 1 - 1970-1978.
A banda coletivamente escolheu o título como uma frase que resumia os 10 anos anteriores de suas vidas. Trata-se de não desistir. Porém, ironicamente, Ozzy saiu da banda depois do lançamento do álbum.
Percebe-se de cara que a voz do Ozzy está bem mais ‘limpa’, comparando-se aos últimos álbuns que o Sabbath havia gravado.
Sua melodia inspirou a música tema do Seu Madruga no cd brasileiro do Chaves.

* Johnny Blade: possui uma introdução de teclados, que dura cerca de 35 segundos, até a entrada da bateria e um riff de guitarra um tanto mais pesado, porém ainda no terreno do hard rock.
A letra é um conto sobre a vida nas ruas.

* Junior’s Eyes: música que havia sido escrita quando Dave Walker estava na banda, foi reescrita para o álbum, e as novas letras tratam da então recente morte do pai de Ozzy.
Música mais longa do álbum com 6:42, mas não é maçante, tem algumas mudanças de ritmo.

* A Hard Road: nesta música, a banda inteira canta junto no final, acontecimento único na carreira do Sabbath. É a única música conhecida em que Tony Iommi canta.
A letra trata da vida como uma dura estrada. Ao final há uma passagem que diz: “Forget all your sorrows / don’t live in the past / and look to the future / ‘cos life goes too fast, you know”.

* Shock Wave: outro hard rock, com vários riffs de guitarra. Gosto muito desta música, mas claro que gosto é pessoal, pode ter alguém que discorde.

* Air Dance: uma bela balada na minha opinião, em que há um bom piano.

* Over To You: na minha opinião, muito boa música, bem lentinha. Talvez para alguns possa ser maçante.
Novamente temos a presença do piano aqui, em algumas partes.

* Breakout: música instrumental, está mais para o jazz, incluindo um solo de saxofone.

* Swinging The Chain: música que vem logo em sequência a Breakout, é cantada pelo baterista Bill Ward, já que Ozzy se recusava a cantar uma letra composta por Walker e o Sabbath se recusava a reescrever essa música.
Para mim, a sonoridade, em especial da guitarra, está meio ‘abafada’.

Quem toca o quê:
Tony Iommi - guitarra, backing vocal em "A Hard Road"
Geezer Butler - baixo, backing vocal em "A Hard Road"
Ozzy Osbourne - vocais
Bill Ward - bateria, vocal solo em "Swinging the Chain", backing vocal em "A Hard Road"

Músicos adicionais:
Don Airey – teclado
John Elstar – harmônica
Will Malone – arranjos de cordas


Temos aqui mais de 45 minutos de boa música, na minha opinião. Para mim, mais um grande álbum do Sabbath! Até ano passado (2012) era o último álbum de estúdio com Ozzy Osbourne nos vocais, mas neste ano de 2013, a banda lançou o álbum 13, com Ozzy!

Abaixo, coloco um video, apenas com o áudio, da balada Air Dance. Confira esta música, mostrando que o Sabbath nunca teve medo de experimentar!


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