domingo, 22 de setembro de 2013

Black Sabbath - Technical Ecstasy

Escreverei aqui sobre o álbum Technical Ecstasy. Entramos no território do ‘ame ou odeie’, pois é um álbum bastante variado, e está um pouco mais distante do tradicional som da banda. 


O Black Sabbath começou a trabalhar no seu próximo álbum, nos estúdios Criteria, em Miami, Flórida, em junho de 1976. O baterista Bill Ward morava em Los Angeles, na época, e o resto da banda planejou se mudar para o outro lado dos Estados Unidos, evitando assim de pagar altas taxas na Inglaterra.

Para expandir seu som, a banda adicionou o tecladista Gerry Woodruffe (li que este tecladista também apareceu no álbum Sabotage, porém no cd que tenho está escrito ‘all instrumentation by Black Sabbath’, então acho que Woodruffe não participou do Sabotage).

Technical Ecstasy, 7º álbum do Sabbath, foi lançado em 25 de setembro de 1976, e teve críticas variadas. Pela primeira vez as críticas não ficaram mais favoráveis com o passar do tempo. Duas décadas depois do lançamento de Technical, a Allmusic se referiu ao álbum notando que a banda estava “desenrolando a um ritmo alarmante”.

Technical Ecstasy foi um álbum ‘esquecido’, pois foi lançado na mesma época em que surgiu o punk rock.
O álbum apresenta menos do som sinistro dos álbuns anteriores, e incorporou ainda mais sintetizadores e teclados. Enquanto as letras do álbum lidam com temas como traficantes de drogas, prostituição e travestis, a música em si raramente era obscura, e músicas como Rock’n’Roll Doctor e It’s Alright (cantada por Bill Ward, em que até Ozzy concordou com isto), eram muito diferentes do som tradicional do Sabbath. A música She’s Gone contém orquestração.

Technical Ecstasy chegou a ser comparado com o álbum A Night At The Opera, do Queen, pela variedade das músicas. Chega a ser irônico isto, pois o Queen abertamente admitiu terem se inspirado no Sabbath, enquanto as críticas à Technical Ecstasy terem mostrado que o Sabbath estava se perdendo.

Technical Ecstasy não alcançou o top 50 nos Estados Unidos, e foi o 2º lançamento consecutivo da banda a não alcançar disco de platina, embora tenha alcançado disco de ouro em 1997.

O álbum inclui a música Dirty Women, e também o primeiro vocal principal do baterista Bill Ward, em It’s Alright.

A capa do álbum foi desenhada pela Hypgnosis (responsável por capas do Pink Floyd e Led Zeppelin, por exemplo), e representa dois robôs fazendo sexo (??) [estranho, mas é isso mesmo]. Ozzy uma vez descreveu como sendo “dois robôs se enroscando em uma escada rolante”.

A turnê de Technical Ecstasy começou em novembro de 1976, tendo como bandas de abertura o Boston e o Ted Nugent, nos Estados Unidos, e completada na Europa com o AC/DC, em abril de 1977.

"Gypsy", "Dirty Women", "Rock 'n' Roll Doctor" e, por pouco tempo, "All Moving Parts (Stand Still)" foram tocadas ao vivo na turnê do album.

Durante a turnê, Ozzy Osbourne foi se mostrando insatisfeito com o álbum. Quando escrever sobre o álbum Never Say Die!, contarei sobre o desenrolar da insatisfação de Ozzy.

Antes das músicas, direi como cheguei a este álbum. Meu pai tinha uma fita cassete com clássicos do rock (já me referi a ela no post sobre o álbum Master of Reality), e dentre as músicas, além de Into The Void, haviam outras 2 músicas do Sabbath: Street Kids e Rock ‘n’ Roll Doctor. Se não me engano estava escrito Street Kids, que na verdade é a Back Street Kids.
Anos depois descobri na internet, acredito, em que álbum estão aquelas 2 músicas, e comprei o cd Technical Ecstasy, e adorei desde a 1ª ouvida!

Todas as músicas foram escritas e compostas pelos 4 membros da banda.

Back Street Kids: música de abertura, tem ritmo rápido e furioso, até parece um pouco com o punk rock, que surgiu na época. A letra é meio rebelde, e é sobre o estilo de vida roqueiro.

You Won’t Change Me: primeira das 3 baladas do álbum. O encarte do cd diz que o álbum traz 2 baladas, porém se esqueceram da música You Won’t Change Me.
É um clássico esquecido do Sabbath, meio psicodélico, em que o órgão está bem presente. É uma das músicas que mais gosto do Sabbath.

It’s Alright: segunda balada do álbum, esta é cantada pelo baterista Bill Ward. No encarte do cd diz que essa é a única música que Ward canta no Sabbath, mas está errado, porque ele canta também em uma música do álbum seguinte, Never Say Die!
Para essa música foi feito um vídeo promocional (na época não era muito usado o termo vídeo clip).
It's Alright foi coverizada, ao vivo, pelo Guns N' Roses, e incluída no seu álbum Live Era: '87–'93. A música também está no filme de 2010 “It's Kind of a Funny Story”.

Gypsy: começa com um bom ritmo de bateria, mas esta música está mais para hard rock. Obviamente que músicas assim muitos fãs do Sabbath devem odiar, mas eu gosto hehe :P
A segunda parte da música, em que aparecem piano e guitarra melódica, gosto bastante.
A letra conta a história de um homem que encontra uma cigana.

All Moving Parts (Stand Still): uma ótima música, que tem um excelente trabalho de baixo de Geezer (obviamente ele sempre tem, mas aqui é um destaque a mais). Isso sem falar no grande trabalho de bateria de Ward, e nos riffs de guitarra de Iommi, especialmente o riff da 2ª parte da música, quando muda o ritmo.
Tem um certo tom de blues.

Rock 'n' Roll Doctor: música diferente do tradicional som do Sabbath, pois é hard rock. Esta música foi tocada pela primeira vez durante um trabalho instrumental na turnê de 1975, do álbum anterior, o Sabotage.
A versão vocal também apareceu na turnê do Technical Ecstasy, e também na turnê do álbum seguinte, Never Say Die! Após foi excluída de turnês, mas voltou na turnê do álbum Born Again, em 1983, com Ian Gillan nos vocais.
Assim como para It’s Alright, foi feito um vídeo promocional de Rock ‘n’ Roll Doctor.

She’s Gone: última das baladas do álbum, essa música é melancólica mas muito bonita. Acústica e acompanhada de orquestra, a letra fala do fim de um relacionamento, em que o homem fica se lamentando.

Dirty Women: última faixa, e é a maior música do álbum em duração (mais de 7 minutos). A letra fala da busca incansável por sexo :P
Melodicamente, a música tem vários riffs de guitarra, é pesada e é excelente! No final de Dirty Women, há um longo solo de guitarra.

Quem toca o quê:

Tony Iommi - Guitarra
Geezer Butler - Baixo
Ozzy Osbourne - Vocais
Bill Ward – Bateria, vocais em It’s Alright
Gerry Woodruffe – teclados e outros arranjos
Mike Lewis – arranjo e condução de cordas em She’s Gone
Robôs designados por George Hardie e desenhados por Richard Manning

Fãs mais radicais do Sabbath não gostam muito de Technical Ecstasy, mas se você é eclético como eu, provavelmente irá adorar este álbum!

Na minha opinião é mais um clássico do Sabbath, com Ozzy nos vocais. Aliás, os 8 álbuns com Ozzy são clássicos!

Abaixo coloco o "video promocional" (video clip) da música It's Alright, cantada pelo baterista Bill Ward.