Com as novas inovações musicais
da época, a banda ficou surpresa ao ver que a sala de gravação que eles usaram
previamente em Record Plant, foi substituída por um ‘sintetizador gigante’. A
banda alugou uma casa em Bel Air e começou a escrever no verão de 1973, mas
devido em parte ao abuso de substâncias ilícitas e fatiga, eram incapazes de
completar qualquer música. “As ideias não estavam vindo do modo que apareceram no
Volume 4 e realmente ficamos descontentes” disse Iommi. “Todos estavam sentados
lá esperando que eu viesse com algo. Eu não conseguia pensar em nada. E se eu
não viesse com algo, ninguém faria nada.”
Depois de um mês em Los Angeles
sem resultado, a banda optou em retornar ao Reino Unido, onde eles alugaram o
Castelo Clearwell (supostamente assombrado) na Floresta de Dean, em
Gloucestershire, Inglaterra. “Nós ensaiamos nas masmorras e foi realmente
assustador, mas tinha alguma atmosfera, evocava coisas, e as ideias começaram a
surgir novamente”, como disse Iommi. Enquanto trabalhava na masmorra, Iommi criou o riff
principal de Sabbath Bloody Sabbath, que deu o tom para o novo material.
A gravação foi completada nos
estúdios Morgan em Willesden, norte de Londres, em 1973, e Sabbath Bloody
Sabbath foi um dos álbuns com o processo de gravação mais longos de toda a
história da banda. A banda usou pela primeira vez em gravação um sintetizador. A banda, acostumada a gravar álbuns em poucos
meses, ou mesmo semanas, sentiu o peso da demora. Um fato curioso sobre o disco
é que, segundo Tony Iommi, o uso abusivo de drogas e álcool e o isolamento da
banda é que inspirou o clima de músicas como Sabbath Bloody Sabbath e Killing
Yourself to Live, e provocou as freqüentes aparições de fantasmas, poltergeist
e outros fenômenos sobrenaturais que ocorriam nas masmorras onde a banda
ensaiou.
O tecladista Rick Wakeman da
banda Yes (que estava gravando o álbum Tales From Topographic Oceans com o Yes
em estúdio próximo) foi trazido como músico convidado, aparecendo na música
Sabbra Cadabra, e pelo que li, também aparece na música Who Are You?.
Construídas das mudanças
estilísticas introduzidas no Volume 4, as novas músicas incorporaram
sintetizadores, cordas, teclados e arranjos mais complexos, ao tradicional som
pesado do Sabbath. O álbum mostra um Sabbath sem medo de experimentar. Por exemplo em "Who Are You?", o uso
de teclados e sintetizador, em "Looking For Today" o uso da flauta, e
em "Fluff", o uso do cravo. O
álbum também revela um lado bastante introspectivo da banda: o lado acústico,
como em "Sabbath Bloody Sabbath", “Fluff” e "Looking For
Today". O álbum tem uma atmosfera muito mais caracterizada pelo rock
progressivo que seu antecessor Black Sabbath Vol. 4, e é considerado por muitos
o auge do amadurecimento da banda.
Sabbra Cadabra e Who Are You?
utilizam o sintetizador Moog, um instrumento comum no rock progressivo da
época. As letras de algumas músicas do álbum foram escritas sobre problemas que
ocorriam na banda à época.
Drew Struzan foi o artista
requisitado para fazer a capa do álbum, sob a direção de Ernie Cefalu. Retrata
um homem em uma cama, aparentemente tenho um pesadelo ou visão em que ele está sendo
atacado por demônios em forma humana. No topo da cama está uma grande caveira
com braços longos e estendidos e o número 666 (o número da besta) escrito
abaixo da caveira. Na contracapa do álbum está o oposto da capa (que eu coloquei aqui ao lado).
O tipógrafo Geoff Halpin foi quem
fez as letras meio góticas, com os “S” em destaque, dando uma imagem teutônica
(germânica) à capa.
O Black Sabbath lançou Sabbath
Bloody Sabbath, seu 5º álbum, em 1º de dezembro de 1973. Pela primeira vez na
sua carreira, a banda começou a receber comentários favoráveis da imprensa, como
por exemplo a Rolling Stone, que chamou o álbum de “nada menos que um completo
sucesso”. O álbum marcou o 5º álbum consecutivo de platina nos Estados Unidos,
para a banda. Chegou ao nº 4 nas paradas do Reino Unido, e ao nº 7 nos Estados
Unidos. No Reino Unido, foi o primeiro álbum do Sabbath a conseguir
certificação de prata (60 mil unidades vendidas) pela indústria fonográfica
britânica, feito alcançado em fevereiro de 1975.
A banda começou uma turnê mundial
em janeiro de 1974, que culminou com o festival California Jam, em Ontario,
Califórnia, em 6 de abril de 1974. O Black Sabbath estava meio relutante em
participar do festival, mas a ameaça de serem processados em 100 mil dólares,
fez com que a banda participasse. Atraindo mais de 200 mil fãs, o Black Sabbath
apareceu ao lado de outros gigantes do rock e pop dos anos 70, como Emerson,
Lake & Palmer, Deep Purple, Earth, Wind & Fire e Eagles. Partes do show
foram transmitidas pela rede de tv ABC nos Estados Unidos, expondo a banda a
uma maior audiência americana.
No mesmo ano, a banda trocou seu
empresário, assinando com o notório empresário inglês Don Arden. Essa mudança
causou uma disputa contratual com o empresário anterior da banda, e enquanto
fazendo shows nos Estados Unidos, Osbourne recebeu uma intimação que levou a 2
anos de processo.
Antes de passar às músicas, conto
como conheci este clássico do rock! Já escrevi outras vezes sobre meu falecido
ex-vizinho Jordane (ou Jordani), ele tinha vários cd’s do Sabbath. Dentre eles
estava o Sabbath Bloody Sabbath, que emprestei. Desde a 1ª audição, adorei!
Aliás, quem adora rock, não tem como não gostar!
Todas as músicas foram escritas
pelos 4 membros.
* Sabbath Bloody Sabbath: é a faixa de abertura do álbum. O riff
principal da música foi reconhecido como o “riff que salvou o Black Sabbath”,
porque na época Tony Iommi estava sofrendo de ‘writer’s block’ (talvez por
falta de inspiração ou criatividade).
O título foi retirado de uma
manchete do jornal Melody Maker. A música é uma perfeita mistura do heavy metal
com uma parte acústica, quebrando o peso, o que a torna uma excelente música.
Mesmo sendo uma das melhores
músicas de toda a história da banda, ela foi aos poucos sendo retirada dos sets
do Sabbath, nos shows. Foi raramente tocada nos anos 70, e quando a banda se
reuniu (em 1998), eles só tocaram a primeira metade da música, não sendo
cantados os 2 versos finais. Em 2000, foi inteiramente retirada do set,
emergindo poucos anos depois quando a banda tocou o riff poucas vezes como
introdução a Paranoid.
Sabbath Bloody Sabbath foi
coverizada por Bruce Dickinson com a banda Godspeed, no álbum tributo Nativity
In Black, de 1994. O Anthrax também fez cover, e esta versão aparece no EP I’m
The Man. Outra banda que também fez cover de Bloody Sabbath foi o Cardigans, em
1994, no álbum Emmerdale.
* A National Acrobat: tem um riff de abertura harmonizado, de tempo
médio, um riff psicodélico (com efeito wah wah) no meio da música, e um solo
clássico de Tony Iommi.
Chega-se a ouvir 4 guitarras na música. Algumas partes da letra tratam a respeito da nossa existência terrena e da vida que virá após a morte! Uma das melhores partes da letra está nas linhas: "Just remember love is life and hate is living death / Treat your life for what it's worth and live for every breath"
O Metallica fez cover desta
música, no álbum Garage Inc., de 1998, que é parte de uma medley com Sabbra
Cadabra. A música foi também coverizada em estilo medieval, pela banda
estoniana Rondellus, no seu álbum tributo Sabbatum. Na sua versão as letras
foram traduzidas para o latim, e o nome da música passou a ser ‘Funambulus
Domesticus’. Quem também coverizou foi banda gótica medieval alemã Sopor
Aeternus and The Ensemble of Shadows, que está na sua compilação “Jekura-Deep
the Eternal Forest”, e o nome da música passou a ser “Tabor C’alan O’itana”,
que é o título original (A National Acrobat) ao contrário.
* Fluff: com a experimentação que o Black Sabbath vinha fazendo, o
álbum Sabbath Bloody Sabbath não estaria completo sem uma bela música acústica,
o que é o caso de Fluff! Música instrumental, perfeita para relaxar.
Tony Iommi tocou quase todos os
instrumentos aqui.
* Sabbra Cadabra: é puro rock’n’roll, e pouco tempo após a gravação
no álbum, esta música já seria incluída no set list dos shows da banda. Há uma
variedade de tons de guitarra muito bem arranjados.
A letra é do ponto de vista de um
homem, que é completamente apaixonado por sua garota. Um fato engraçado é que a
1ª vez que vi este cd, numa antiga locadora de cd’s aqui na minha cidade (que
já não existe mais), quando vi o nome da música Sabbra Cadabra, pensei que
fosse algo macabro ou do gênero hehehe.
No meio da música há uma quebra
de ritmo (por 1:58), e aparece Rick Wakeman no piano e sintetizador.
* Killing Yourself To Live: foi escrita pelo baixista Geezer Butler,
enquanto estava no hospital por problemas no rim causados por bebedeira
excessiva. O baterista Bill Ward também estava sofrendo do consumo excessivo de
álcool, e a música reflete os problemas causados pelos seus estilos de vida
“extremos”. Uma encarnação anterior da música pode ser ouvida nos álbuns Live
At Last e Past Lives.
Música muito bem escrita, e é
progressiva, com algumas mudanças de ritmo, muito legais por sinal. Há uma
perfeita sincronia entre os 4 membros da banda.
A música Killing Yourself To Live compreende
uma suite de 3 músicas: Killing Yourself To Live, You Think That I’m Crazy
(começa aos 2:44) e I Don’t Know If I’m Up Or Down (começa aos 4:06). Enquanto
o 2º e 3º títulos não estão indicados no álbum, as músicas têm direitos
autorais separados, registrados pela banda, e partituras para cada como sendo
títulos individuais.
* Who Are You?: esta foi a 1ª música do Sabbath escrita primeiramente
por Ozzy (letras e o riff principal). Ozzy se utilizou de um pequeno
sintetizador ao escrevê-la, e é na verdade uma das músicas que mais soa “do
mal” no álbum. A combinação de sintetizador e o baixo distorcido de Geezer faz
esta música perfeita para um filme de terror. Novamente temos a aparição de
Rick Wakeman, no sintetizador e piano.
* Looking For Today: essa música soa um tanto alegre, após a música
anterior. Looking For Today está mais próxima do hard rock, e temos até palmas
na música (pelos 4 músicos do Sabbath).
Novamente temos uma parte
acústica aqui, logo antes do refrão (na chamada ‘bridge’), com a adição da
flauta, tocada pelo guitarrista Tony Iommi.
* Spiral Architect: música que fecha o álbum. Possui uma introdução de
violão, e é com certeza uma das músicas com composição e arranjos mais maduros
da carreira da banda.
Temos uma das melhores
performances vocais de Ozzy em sua carreira. O arranjo de cordas de Will Malone
é muito bonito e dá um toque de perfeição à música.
O final é emblemático, com os
sons de palmas, como que se estivessem aplaudindo o álbum. Nem precisava disto,
pois estamos diante de um grande clássico do rock de todos os tempos! Um álbum
obrigatório na coleção de qualquer amante do rock!
Quem toca o quê no álbum:
Ozzy
Osbourne – vocais, sintetizador
Tony Iommi – todas as guitarras, violão, piano, sintetizador,
órgão, flauta em “Looking For Today”, cravo em “Fluff”, gaita de foles em
“Spiral Architect”
Geezer
Butler – baixo, sintetizador, mellotron, fuzz bass em “Sabbath Bloody Sabbath”
e “Who Are You?”
Bill Ward –
bateria, tímpano, bongos em "Sabbath Bloody Sabbath", fuzz bass-drum
em “Spiral Architect”
Rick Wakeman – teclados, sintetizador, piano em "Sabbra
Cadabra" e “Who Are You?”
Will Malone
– condutor e arranjador do The Phantom Fiddlers em “Spiral Architect”
Logo abaixo coloco um vídeo com belas imagens, ao som da música Fluff! A melodia remete a belas imagens mesmo!

