Em novembro de 1977, enquanto
ensaiando para o próximo álbum, e poucos dias antes da banda entrar em estúdio,
Ozzy Osbourne sai da banda. “Os últimos
álbuns do Sabbath foram muito deprimentes para mim”, disse Ozzy.
Foi trazido para ensaios o
vocalista do Fleetwood Mac e Savoy Brown, Dave Walker, e a banda começou a
escrever novas canções. O Black Sabbath fez sua primeira e única aparição com
Walker nos vocais, tocando uma versão embrionária da música “Junior’s Eyes” no
programa de TV “Look Here!” da BBC.
Ozzy inicialmente tenta formar um
projeto solo, que teria os membros da banda Dirty Tricks John Frazer-Binnie,
Terry Horbury, e Andy Bierne. Assim que a nova banda começa os ensaios em janeiro
de 1978, Ozzy muda de ideia e volta ao Sabbath. “Três dias antes de entrarmos
em estúdio, Ozzy quis voltar à banda”, explicou Iommi.
Porém, Ozzy se recusa a gravar
qualquer material escrito com Dave Walker. Como disse Tony Iommi “Ele não
cantaria nada do que escrevemos com o outro cara, o que tornou tudo muito
difícil. Entramos em estúdio basicamente sem músicas. Escrevíamos de manhã para
podermos ensaiar e gravar à noite. Foi tão difícil porque você não conseguia
ter tempo para refletir nas coisas. ‘Isso está certo? Isso está trabalhando
direito?’ Foi muito difícil para eu vir com as ideias e juntá-las rapidamente”.
A recusa de Ozzy atrasa o
processo de gravação da banda, e banda reescreve quase todas as músicas, para a
gravação do álbum.
A banda passou 5 meses nos
Estúdios Sounds Interchange, em Toronto, Canadá, escrevendo e gravando o álbum
Never Say Die! “Levou bastante
tempo” disse Iommi. “Estávamos ficando realmente drogados, usando muita
droga. Íamos às sessões, e porque estávamos muito chapados, tínhamos que parar.
Ninguém conseguia fazer nada direito, estávamos em todo lugar, todos tocando
uma coisa diferente. Nós voltaríamos e dormiríamos, e tentaríamos novamente no
dia seguinte.”
O álbum Never Say Die! é o oitavo
do Sabbath, e foi lançado em setembro de 1978, alcançando o número 12 no Reino
Unido, e o nº 69 nos EUA.
O álbum é o último da banda com o
vocalista Ozzy Osbourne, até o álbum 13, de 2013. Ozzy criticou o álbum e a
decisão de gravá-lo em Toronto, dizendo em uma entrevista em 1981 que “O último
álbum que fiz com o Sabbath foi o Never Say Die e foi o pior trabalho que já
fiz com alguém. Tenho vergonha
desse álbum. Acho que é nojento.” Ele afirmou que a banda viajou para
Toronto, em janeiro, durante temperaturas abaixo de zero “puramente porque os
Rolling Stones gravaram um álbum ao vivo lá...”
A capa foi novamente feita pela
Hipgnosis. O avião na capa parece ser um T-6 Norte Americano do Texas.
O álbum traz vários elementos e
influências de Jazz, diferente de outros álbuns da banda que flertam mais com o
Rock Progressivo. E também o álbum está mais com cara de hard rock do que heavy
metal.
O álbum contém os singles “Never
Say Die” e “A Hard Road”. Ambas entraram no top 40 do Reino Unido, e a banda
fez sua segunda aparição no programa Top of the Pops, tocando Never Say Die.
O álbum foi duramente criticado pela imprensa e pelos fãs, e
músicas como "Air Dance" e "Breakout" viraram motivo até
mesmo de chacota entre os fãs mais assíduos da banda, que desejavam uma volta
ao seu peso original.
A resposta da imprensa foi
desfavorável, e não melhorou com o passar do tempo, com Eduardo Rivadavia da
Allmusic escrevendo duas décadas depois do lançamento que “as músicas (do
álbum) sem foco perfeitamente refletiram os problemas pessoais da banda e o
abuso de drogas“.
A turnê do álbum (que também
comemorava os 10 anos da banda) começou em maio de 1978, e a banda de abertura
foi o Van Halen. Críticos chamaram a performance do Black Sabbath de “cansada e
sem inspiração”, um forte contraste à “vigorosa” performance do Van Halen, que
estava em turnê mundial pela primeira vez. Há um show filmado no Hammersmith
Odeon, em junho de 1978, que mais tarde foi lançado em DVD com o título Never
Say Die.
O maior show da turnê teve que
ser cancelado depois que Ozzy não apareceu para cantar, pois estava dormindo
bêbado num quarto do hotel em que a banda estava hospedada.
O show final da turnê, e a última
aparição de Osbourne com a banda (até reuniões posteriores) foi em Albuquerque,
Novo México, EUA, em 11 de dezembro de 1978.
Outro fator que contribuiu para o final da turnê foi que a
banda - em especial Tony Iommi - fazia longas sessões de improviso nos shows,
que duravam aproximadamente 1 hora, e irritava muito Ozzy, que mais tarde
declarou: "Eu sempre vi o Black Sabbath como uma banda de Rock! Iommi
queria dar outro segmento à banda, o Sabbath não é uma banda de Jazz, e sim de
Rock!".
Após a turnê, o Black Sabbath
retornou a Los Angeles e novamente alugou uma casa em Bel Air, onde eles
permaneceram cerca de um ano trabalhando em material para o álbum seguinte. Com
a pressão da gravadora, e frustações com a falta de ideias de Ozzy, Tony Iommi
tomou a decisão de demitir Ozzy em 1979.
“Naquela época, Ozzy tinha
chegado ao fim”, disse Iommi. “Estávamos todos usando muita droga, muita
cocaína, muito de tudo, e Ozzy estava ficando bêbado demais nessa época. Nós
tínhamos que estar ensaiando e nada estava acontecendo. Era como ‘Ensaio hoje?
Não, faremos isso amanhã.’ Realmente ficou tão ruim que não fazíamos nada. Fracassou.”
O baterista Bill Ward, que era próximo
de Ozzy, foi escolhido por Tony para dar a notícia ao vocalista. “Eu espero que
eu tenha sido profissional, eu posso não ter sido, na verdade. Quando estou
bêbado eu sou horrível, eu fico horrível,” disse Ward. “O álcool foi
definitivamente uma das coisas mais prejudiciais ao Black Sabbath. Estávamos
destinados a destruir um ao outro. A banda estava tóxica, muito tóxica.”
Ozzy saiu da banda e formou sua própria banda, inicialmente
com o nome The Blizzard Of Ozz com o guitarrista Randy Rhoads. Notícias diziam
que um completamente desiludido Geezer Butler havia anunciado sua saída do
Sabbath, mas logo retornou juntamente com o ex-guitarrista e tecladista do
Quartz, Geoff Nicholls. Para substituir Ozzy nos vocais, foi chamado Ronnie
James Dio, que tinha acabado de sair do Rainbow.
Ozzy chegou a dizer, a respeito de Dio, que “Acho que Ronnie
Dio terá que usar colete à prova de balas se ele chegar lá cantando Iron Man e
Paranoid”.
Com o novo vocalista, a banda gravaria um de seus álbuns
mais pesados desde os meados da década de 1970, Heaven and Hell.
Como conheci este álbum? Hmm, salvo engano, não me lembro de ter ouvido alguma música do Never Say Die, antes de comprar o cd para minha coleção. E, como louco que sou, ou como apreciador da boa música, gostei desde a primeira ouvida.
Todas as canções estão creditadas a
Iommi/Osbourne/Butler/Ward.
* Never Say Die: um
dos clássicos da banda, no Reino Unido atingiu o nº 21 das paradas, e deu à
banda uma aparição no programa Top of the Pops. A banda apareceu 2 vezes ao
vivo no estúdio, fazendo playback. Uma dessas aparições foi incluída no vídeo
oficial The Black Sabbath Story Vol. 1 - 1970-1978.
A banda coletivamente escolheu o título como uma frase que
resumia os 10 anos anteriores de suas vidas. Trata-se de não desistir. Porém,
ironicamente, Ozzy saiu da banda depois do lançamento do álbum.
Percebe-se de cara que a voz do Ozzy está bem mais ‘limpa’,
comparando-se aos últimos álbuns que o Sabbath havia gravado.
Sua melodia inspirou a música tema do Seu Madruga no cd
brasileiro do Chaves.
* Johnny Blade:
possui uma introdução de teclados, que dura cerca de 35 segundos, até a entrada
da bateria e um riff de guitarra um tanto mais pesado, porém ainda no terreno
do hard rock.
A letra é um conto sobre a vida nas ruas.
* Junior’s Eyes:
música que havia sido escrita quando Dave Walker estava na banda, foi reescrita
para o álbum, e as novas letras tratam da então recente morte do pai de Ozzy.
Música mais longa do álbum com 6:42, mas não é maçante, tem algumas mudanças de ritmo.
Música mais longa do álbum com 6:42, mas não é maçante, tem algumas mudanças de ritmo.
* A Hard Road:
nesta música, a banda inteira canta junto no final, acontecimento único na
carreira do Sabbath. É a única música conhecida em que Tony Iommi canta.
A letra trata da vida como uma dura estrada. Ao final há uma passagem que diz: “Forget all your sorrows / don’t live in the past / and look to the future / ‘cos life goes too fast, you know”.
A letra trata da vida como uma dura estrada. Ao final há uma passagem que diz: “Forget all your sorrows / don’t live in the past / and look to the future / ‘cos life goes too fast, you know”.
* Shock Wave:
outro hard rock, com vários riffs de guitarra. Gosto muito desta música, mas
claro que gosto é pessoal, pode ter alguém que discorde.
* Air Dance: uma
bela balada na minha opinião, em que há um bom piano.
* Over To You: na minha opinião, muito boa música, bem lentinha.
Talvez para alguns possa ser maçante.
Novamente temos a presença do piano aqui, em algumas partes.
Novamente temos a presença do piano aqui, em algumas partes.
* Breakout:
música instrumental, está mais para o jazz, incluindo um solo de saxofone.
* Swinging The Chain:
música que vem logo em sequência a Breakout, é cantada pelo baterista Bill
Ward, já que Ozzy se recusava a cantar uma letra composta por Walker e o
Sabbath se recusava a reescrever essa música.
Para mim, a sonoridade, em especial da guitarra, está meio
‘abafada’.
Quem toca o quê:
Tony Iommi - guitarra, backing vocal em "A Hard
Road"
Geezer Butler - baixo, backing vocal em "A Hard
Road"
Ozzy
Osbourne - vocais
Bill Ward -
bateria, vocal solo em "Swinging the Chain", backing vocal em "A
Hard Road"
Músicos adicionais:
Don Airey – teclado
John Elstar – harmônica
Will Malone – arranjos de cordas
Temos aqui mais de 45 minutos de boa música, na minha
opinião. Para mim, mais um grande álbum do Sabbath! Até ano passado (2012) era
o último álbum de estúdio com Ozzy Osbourne nos vocais, mas neste ano de 2013,
a banda lançou o álbum 13, com Ozzy!
Abaixo, coloco um video, apenas com o áudio, da balada Air Dance. Confira esta música, mostrando que o Sabbath nunca teve medo de experimentar!