sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Black Sabbath - Sabotage



Após a turnê do álbum Sabbath Bloody Sabbath, a banda chegou a fazer planos para um álbum ao vivo, que não se concretizou. Também foram considerados álbuns solo, mas igualmente não passaram de ideias. O Sabbath logo retorna em estúdio para o período mais longo de gravação, até então, para o que se tornaria o projeto mais ambicioso da banda, o álbum Sabotage. Álbum que levou cerca de 1 ano de produção!! 


O Black Sabbath começou a trabalhar no seu 6º álbum em fevereiro de 1975, na Inglaterra, nos estúdios Morgan, em Willesden, Londres, desta vez com uma visão decisiva em fazer um som diferente de Sabbath Bloody Sabbath. O guitarrista Tony Iommi disse “Nós poderíamos ter continuado e continuado, ficando mais técnicos, usando orquestras e tudo mais que particularmente não queríamos. Olhamos para nós mesmos, e queríamos fazer um álbum de rock – Sabbath Bloody Sabbath não foi um álbum de rock, realmente.” 

Apesar de Iommi ter dito aquilo logo acima, Sabotage é um álbum bem variado, misturando o som pesado da banda ainda mais ao rock progressivo. Apesar de ser variado, o álbum ainda mostra o lado pesado da banda em músicas como "Hole in the Sky" e "Symptom of the Universe". Sabotage, por ser variado, pode ser visto como precursor do álbum A Night At The Opera, do Queen, lançado no final do mesmo ano.

Nessa época, as coisas estavam começando a ficar complicadas para Ozzy Osbourne no Sabbath, seja por sua personalidade forte dentro da banda focalizando todo o sucesso em sua voz (motivo de problemas internos), seja pelo abuso de drogas e álcool (que estavam afetando sua voz, o que pode ser ouvido em Sabotage, sua voz ficando cada vez mais estridente).

Também acontecia na época uma guerra de egos, entre Tony Iommi e Ozzy Osbourne. Parecia bizarro, nos shows da época, que Iommi (guitarrista e músico de talento e habilidade indubitáveis, mas sem presença de palco animada) insistia em ficar no centro do palco, enquanto Ozzy, com uma presença de palco sempre animada e carismática, ficava relegado ao lado do palco, e não no centro.

Produzido pela banda e Mike Butcher, Sabotage foi lançado em junho de 1975, tendo sido gravado entre fevereiro e março de 1975, nos estúdios Morgan, em Londres e Bruxelas. Assim como o álbum anterior, inicialmente recebeu críticas favoráveis, como por exemplo a revista Rolling Stone que assim se referiu: “Sabotage não só é o melhor álbum do Black Sabbath desde Paranoid, pode ser o melhor deles”, embora críticas mais atuais, como a Allmusic, assim se referiram: “a química mágica que fez álbuns como Paranoid e Volume 4 tão especiais estava começando a se desintegrar”. 

Em Sabotage, a impressão que particularmente tenho, é que a experimentação iniciada em Volume 4 atinge seu ápice. No álbum seguinte, Technical Ecstasy, há um declínio.

Sobre a capa do álbum, Ozzy define a si mesmo como “um homo de quimono”.

Sabotage alcançou o nº 7 nas paradas britânicas, e o nº 28 nos Estados Unidos, mas foi o primeiro lançamento da banda a não alcançar disco de platina nos Estados Unidos, onde só conseguiu disco de ouro.

O Black Sabbath saiu em turnê para divulgar o álbum Sabotage, com o Kiss como banda de abertura, mas foram forçados a encurtar a turnê em novembro de 1975, depois de um acidente de moto em que Ozzy rompeu um músculo das suas costas.

Quem toca o quê:
Ozzy Osbourne – vocais principais, sintetizador
Tony Iommi – guitarras, piano, sintetizador, órgão, harpa
Terry "Geezer" Butler – baixo, mellotron (erroneamente chamado de "Tony 'Geezer' Butler" na história da banda na edição canadense do CD)
Bill Ward – bateria, piano em "Blow On A Jug"
Will Malone – arranjos da English Chamber Choir

Todas as músicas foram escritas pelos 4 membros da banda. Porém, quem escreveu a maioria das letras foi o baixista Geezer Butler.


Antes de passarmos às músicas, contarei como conheci este álbum! Salvo engano, acho que vi algum programa na MTV sobre o Black Sabbath, e em um momento falaram da música Symptom Of The Universe, como sendo um dos clássicos da banda. Quando comecei a comprar minha coleção de cd’s do Sabbath, o Sabotage foi um dos primeiros. Grande álbum!



Hole In The Sky: grande música de abertura, é hard/heavy. Aqui já começamos a perceber a voz de Ozzy meio estridente. Tem grandes riffs de guitarra.
Pena apenas que ela acaba abruptamente.

Don’t Start (Too Late): curta música instrumental acústica, dura 49 segundos, e é uma transição entre Hole In The Sky e Symptom Of The Universe.

Symptom of the Universe: devido à sua agressividade e velocidade, é considerada a canção pioneira do thrash metal.
A música é dividida basicamente em 2 partes: um início pesado e uma parte acústica no final. Provavelmente é a melhor música do álbum! Novamente temos outros grandes riffs de guitarra, e a parte final da música é muito bonita!
As letras foram escritas por Geezer Butler sobre um sonho que ele teve, com muitas citações sobre a criação do universo, o criador, e algumas referências mitológicas.
A música aparece nos jogos Skate 2 e Brütal Legend.

Megalomania: é a música mais longa que o Sabbath gravou em sua história, composta pela banda (Warning, do 1º álbum, é uma cover). Tem 9:49.
É bem progressiva, tem uma parte inicial lenta, que dura 3 minutos. Depois entra um riff de guitarra e uma parte muito interessante que vai até o final, com vocais sinistros de Ozzy.

Thrill Of It All: possui um riff interessante de guitarra. Particularmente gosto bastante da transição entre a 1ª e a 2ª partes da música. Nessa transição há até mesmo sons de sinos (!!). Na 2ª parte da música há teclados.

Supertzar: música instrumental que contém um coro, da English Chamber Choir. Tem um riff de guitarra muito bom. É uma das músicas mais aventureiras da banda, usada como introdução nos shows por muitos anos.

Am I Going Insane (Radio): música que se aproxima do pop. Única música lançada como single do álbum, não tendo entrado nas paradas americanas e britânicas. É, com certeza, a música mais comercial do álbum.
O título da música causou alguma confusão com a parte ‘Radio’ do nome, porque levou algumas pessoas a acreditarem que a música era uma versão para ser tocada no rádio. No entanto, essa é a única versão da música. Am I Going Insane (Radio) é bem diferente das músicas típicas do Sabbath. Não há um riff pesado de guitarra nela, mas há um riff de teclado que é dominante.
A música conclui com uma risada insana, que nos leva à música seguinte “The Writ”.

The Writ: 2ª música mais longa do álbum, tem mais de 8 minutos. É como uma mini ópera-rock, pois na parte final tem até harpa!
Começa com o som do baixo de Butler, bem baixo (sem trocadilhos), até explodir em uma grande melodia. Também progressiva, possui algumas mudanças de ritmo.
Liricamente, a música parece ser no sentido dos problemas de gestão que a banda vinha sofrendo. A banda estava sofrendo problemas legais na época, e houve shows em que, ao entrar no palco, Ozzy recebia mandados judiciais (writ = mandado judicial).
A parte final da música, melodicamente, é muito bonita! Começa com a harpa, e os vocais de Ozzy passam a emoção da letra.

Blow On A Jug: em alguns dos primeiros lançamentos em vinil e cassete (e em todas as versões remasterizadas do álbum) há uma ‘música’ escondida curta, de 31 segundos, logo após The Writ, chamada Blow On A Jug. Gravada em volume baixo, Ozzy e Bill Ward aparecem cantando em estúdio.

Temos aqui cerca de 43 minutos de mais um grande clássico do rock mundial! Sabotage é considerado o último dos 6 grandes álbuns do Black Sabbath.



Abaixo coloco o vídeo, apenas com o áudio, da música instrumental Supertzar. Apreciem!