O Black Sabbath começou a
trabalhar no seu 6º álbum em fevereiro de 1975, na Inglaterra, nos estúdios
Morgan, em Willesden, Londres, desta vez com uma visão decisiva em fazer um som
diferente de Sabbath Bloody Sabbath. O guitarrista Tony Iommi disse “Nós
poderíamos ter continuado e continuado, ficando mais técnicos, usando
orquestras e tudo mais que particularmente não queríamos. Olhamos para nós
mesmos, e queríamos fazer um álbum de rock – Sabbath Bloody Sabbath não foi um
álbum de rock, realmente.”
Apesar de Iommi ter dito aquilo
logo acima, Sabotage é um álbum bem variado, misturando o som pesado da banda ainda
mais ao rock progressivo. Apesar de ser variado, o álbum ainda mostra o lado
pesado da banda em músicas como "Hole in the Sky" e "Symptom of
the Universe". Sabotage, por ser variado, pode ser visto como precursor do
álbum A Night At The Opera, do Queen, lançado no final do mesmo ano.
Nessa época, as coisas estavam
começando a ficar complicadas para Ozzy Osbourne no Sabbath, seja por sua
personalidade forte dentro da banda focalizando todo o sucesso em sua voz
(motivo de problemas internos), seja pelo abuso de drogas e álcool (que estavam
afetando sua voz, o que pode ser ouvido em Sabotage, sua voz ficando cada vez
mais estridente).
Também acontecia na época uma
guerra de egos, entre Tony Iommi e Ozzy Osbourne. Parecia bizarro, nos shows da
época, que Iommi (guitarrista e músico de talento e habilidade indubitáveis,
mas sem presença de palco animada) insistia em ficar no centro do palco,
enquanto Ozzy, com uma presença de palco sempre animada e carismática, ficava
relegado ao lado do palco, e não no centro.
Produzido pela banda e Mike
Butcher, Sabotage foi lançado em junho de 1975, tendo sido gravado entre
fevereiro e março de 1975, nos estúdios Morgan, em Londres e Bruxelas. Assim
como o álbum anterior, inicialmente recebeu críticas favoráveis, como por exemplo
a revista Rolling Stone que assim se referiu: “Sabotage não só é o melhor álbum
do Black Sabbath desde Paranoid, pode ser o melhor deles”, embora críticas mais
atuais, como a Allmusic, assim se referiram: “a química mágica que fez álbuns
como Paranoid e Volume 4 tão especiais estava começando a se desintegrar”.
Em Sabotage, a impressão que
particularmente tenho, é que a experimentação iniciada em Volume 4 atinge seu
ápice. No álbum seguinte, Technical Ecstasy, há um declínio.
Sobre a capa do álbum, Ozzy
define a si mesmo como “um homo de quimono”.
Sabotage alcançou o nº 7 nas
paradas britânicas, e o nº 28 nos Estados Unidos, mas foi o primeiro lançamento
da banda a não alcançar disco de platina nos Estados Unidos, onde só conseguiu
disco de ouro.
O Black Sabbath saiu em turnê
para divulgar o álbum Sabotage, com o Kiss como banda de abertura, mas foram
forçados a encurtar a turnê em novembro de 1975, depois de um acidente de moto
em que Ozzy rompeu um músculo das suas costas.
Quem toca o quê:
Ozzy Osbourne – vocais principais, sintetizador
Tony Iommi – guitarras, piano, sintetizador, órgão, harpa
Terry "Geezer" Butler – baixo, mellotron (erroneamente
chamado de "Tony 'Geezer' Butler" na história da banda na edição
canadense do CD)
Bill Ward –
bateria, piano em "Blow On A Jug"
Will Malone
– arranjos da English Chamber Choir
Todas as músicas foram escritas pelos 4 membros da banda.
Porém, quem escreveu a maioria das letras foi o baixista Geezer Butler.
Antes de passarmos às músicas,
contarei como conheci este álbum! Salvo engano, acho que vi algum programa na
MTV sobre o Black Sabbath, e em um momento falaram da música Symptom Of The
Universe, como sendo um dos clássicos da banda. Quando comecei a comprar minha
coleção de cd’s do Sabbath, o Sabotage foi um dos primeiros. Grande álbum!
Hole In The Sky: grande música de abertura, é hard/heavy. Aqui já
começamos a perceber a voz de Ozzy meio estridente. Tem grandes riffs de
guitarra.
Pena apenas que ela acaba
abruptamente.
Don’t Start (Too Late): curta música instrumental acústica, dura 49
segundos, e é uma transição entre Hole In The Sky e Symptom Of The Universe.
Symptom of the Universe: devido à sua agressividade e velocidade, é
considerada a canção pioneira do thrash metal.
A música é dividida basicamente
em 2 partes: um início pesado e uma parte acústica no final. Provavelmente é a
melhor música do álbum! Novamente temos outros grandes riffs de guitarra, e a
parte final da música é muito bonita!
As letras foram escritas por
Geezer Butler sobre um sonho que ele teve, com muitas citações sobre a criação
do universo, o criador, e algumas referências mitológicas.
A música aparece nos jogos Skate 2 e Brütal Legend.
Megalomania: é a música mais longa que o Sabbath gravou em sua
história, composta pela banda (Warning, do 1º álbum, é uma cover). Tem 9:49.
É bem progressiva, tem uma parte
inicial lenta, que dura 3 minutos. Depois entra um riff de guitarra e uma parte
muito interessante que vai até o final, com vocais sinistros de Ozzy.
Thrill Of It All: possui um riff interessante de guitarra.
Particularmente gosto bastante da transição entre a 1ª e a 2ª partes da música.
Nessa transição há até mesmo sons de sinos (!!). Na 2ª parte da música há teclados.
Supertzar: música instrumental que contém um coro, da English
Chamber Choir. Tem um riff de guitarra muito bom. É uma das músicas mais aventureiras
da banda, usada como introdução nos shows por muitos anos.
Am I Going Insane (Radio): música que se aproxima do pop. Única
música lançada como single do álbum, não tendo entrado nas paradas americanas e
britânicas. É, com certeza, a música mais comercial do álbum.
O título da música causou alguma
confusão com a parte ‘Radio’ do nome, porque levou algumas pessoas a
acreditarem que a música era uma versão para ser tocada no rádio. No entanto,
essa é a única versão da música. Am I Going Insane (Radio) é bem diferente das
músicas típicas do Sabbath. Não há um riff pesado de guitarra nela, mas há um
riff de teclado que é dominante.
A música conclui com uma risada
insana, que nos leva à música seguinte “The Writ”.
The Writ: 2ª música mais longa do álbum, tem mais de 8 minutos. É
como uma mini ópera-rock, pois na parte final tem até harpa!
Começa com o som do baixo de
Butler, bem baixo (sem trocadilhos), até explodir em uma grande melodia. Também
progressiva, possui algumas mudanças de ritmo.
Liricamente, a música parece ser
no sentido dos problemas de gestão que a banda vinha sofrendo. A banda estava
sofrendo problemas legais na época, e houve shows em que, ao entrar no palco,
Ozzy recebia mandados judiciais (writ = mandado judicial).
A parte final da música,
melodicamente, é muito bonita! Começa com a harpa, e os vocais de Ozzy passam a
emoção da letra.
Blow On A Jug: em alguns dos primeiros lançamentos em vinil e
cassete (e em todas as versões remasterizadas do álbum) há uma ‘música’
escondida curta, de 31 segundos, logo após The Writ, chamada Blow On A Jug.
Gravada em volume baixo, Ozzy e Bill Ward aparecem cantando em estúdio.
Temos aqui cerca de 43 minutos de
mais um grande clássico do rock mundial! Sabotage é considerado o último dos 6
grandes álbuns do Black Sabbath.
Abaixo coloco o vídeo, apenas com
o áudio, da música instrumental Supertzar. Apreciem!