segunda-feira, 23 de abril de 2012

Black Sabbath - Vol. 4


Em junho de 1972, a banda se reuniu em Los Angeles para começar a trabalhar em seu próximo álbum, nos estúdios Record Plant. O processo de gravação foi cheio de problemas, muito como resultado do abuso de substâncias ilícitas. Enquanto estava batalhando para gravar a música Cornucopia, depois de se sentar no meio da sala, apenas se drogando, Bill Ward quase foi demitido da banda. “Eu odiei a música, haviam alguns padrões que eram....horríveis” disse Ward. “Eu toquei até o final, mas a reação que obtive foi a frieza de todos. Foi como ‘Bem, vá pra casa, você não tem utilidade no momento’. Me senti como se tivesse estragado tudo, eu estava a ponto de ser mandado embora”.  

Originalmente, o álbum chamar-se-ia ‘Snowblind’, nome de uma música do álbum, que trata do abuso de cocaína. A gravadora mudou o título no último minuto para Black Sabbath Vol. 4. Bill Ward disse “Não havia Volume 1, 2 ou 3, então é um título um tanto estúpido realmente”.

Black Sabbath Vol. 4 foi lançado em 25 de setembro de 1972, e enquanto as críticas da época foram negativas, o álbum alcançou o disco de ouro em menos de um mês, e foi o 4º lançamento consecutivo da banda a vender um milhão de cópias nos EUA.

Apesar da montanha de cocaína usada, a banda produziu outro álbum de primeira qualidade, que ultrapassou as fronteiras do heavy metal, e influenciaria muitas outras bandas. Entretanto, as sementes foram plantadas para o que eventualmente seria o fim da formação clássica do Sabbath.

Como Geezer Butler falou para a revista Guitar World, em 2001, “Sim, a cocaína estava lá. Nós fomos para L.A. e tivemos um estilo de vida totalmente diferente. Metade do orçamento foi para a cocaína e a outra metade foi para ver quanto tempo poderíamos ficar no estúdio. Alugamos uma casa em Bel-Air e a libertinagem lá foi inacreditável”. Na mesma entrevista Bill Ward disse “Sim, Vol. 4 é um ótimo álbum mas escutando ele agora, eu posso ver como um ponto de virada para mim, onde álcool e drogas pararam de ser divertidos”.

À época, a banda havia prometido que seu 4º álbum seria o mais variado até então, e não desapontou. Com mais tempo no estúdio, Vol. 4 viu a banda começando a experimentar novas coisas em seu som, como orquestração, piano, cordas e músicas com várias partes. A música Tomorrow’s Dream foi lançada como single – o primeiro depois de Paranoid – mas não entrou nas paradas. É mais um álbum cheio de clássicos do Sabbath.

Após uma turnê extensa nos EUA, a banda viajou para a Austrália pela 1ª vez em 1973, e mais tarde tocou na Europa. Algumas datas foram gravadas para um provável álbum ao vivo, mas que não se materializou (o que só viria a acontecer em 1980, com o Live At Last, álbum que não teve a aprovação nem da banda, nem de Ozzy, que já estava fora do Sabbath).

A capa do álbum é uma fotografia monocromática de Ozzy Osbourne, com as mãos para cima, tirada durante um show do Sabbath. Nas notas do álbum, a banda agradece “the great COKE-Cola Company”, uma flagrante referência à cocaína. Também durante essa época, o baixista Geezer Butler ostentava um adesivo em seu contrabaixo branco, que dizia “Enjoy CoCaine”, uma paródia do slogan “Enjoy CocaCola”. A fábrica de tênis Converse lançou uma edição limitada de um par de tênis com a capa de Vol. 4, no ano de 2011, pelo que vi.

Antes das músicas, contarei como conheci este álbum. Meu pai tem 2 LP’s do Sabbath (um deles contei que é o Paranoid, no post respectivo), o outro é justamente o Vol. 4. Adorei desde a 1ª vez que ouvi, inclusive a música FX hehe, não sei como.


Músicas: todas elas são creditadas aos 4 membros do Sabbath

* Wheels Of Confusion: música que abre o álbum, é progressiva. Aliás, o heavy metal tem um pé no rock progressivo, em especial as músicas mais longas, como esta. Se não me engano, é a 2ª música mais longa da banda, perdendo para Megalomania (não conto a música Warning, que é uma cover, e está no 1º álbum do Sabbath).

Provavelmente é a música do Sabbath, com Ozzy nos vocais, que eu mais gosto. Tem grandes riffs de guitarra, é bem pesada, tem algumas mudanças de ritmo, e a parte instrumental no final é excelente. Aliás, esta parte instrumental (que inicia aos 5:13) tem seu próprio título, The Straightener, e este título não aparece na maioria das edições do álbum.

* Tomorrow’s Dream: mais um grande clássico do Sabbath, provavelmente um pouco esquecido. Música curta (tem pouco mais de 3 minutos), o sentimento da letra é o de afastar as dores do presente e começar uma vida nova. Na letra há a linha: “When sadness fills my days, it’s time to turn away, and then tomorrow’s dreams, become reality to me

* Changes: uma bonita e triste balada, cuja letra é sobre o final de um relacionamento entre um homem e uma mulher. Basicamente ouvimos piano e mellotron, tocados pelo guitarrista Tony Iommi. Esta música foi uma grande surpresa para os fãs mais radicais da banda, e foi a melhor balada até então, em termos de sucesso. O Black Sabbath nunca tocou essa música ao vivo nos anos 70. A primeira vez que eles tocaram Changes ao vivo, foi nos anos 90, com Tony Martin nos vocais.

* FX: música instrumental, nada mais é que um monte de barulhos estranhos, em cerca de 1:40.

* Supernaut: mais uma grande música, possui riffs de guitarra rápidos, e um grande trabalho de bateria de Bill Ward. As letras são psicodélicas, refletindo o período que a banda vivia, em que as drogas estavam muito presentes.

* Snowblind: grande clássico do Sabbath, a letra se refere ao uso de cocaína. Esta música teve que ser regravada, porque na versão original, Ozzy gritava a palavra ‘cocaine’ depois de cada verso. Na versão que foi lançada no Vol. 4, a palavra ‘cocaine’ é cantada quase audivelmente depois do 1º verso. Já ao vivo, Ozzy gritaria a palavra com toda força.

Tirando este fato da letra, melodicamente é uma grande música, com seus riffs de guitarra marcantes. E também possui uma excelente mudança de ritmo no meio da música, que inicia aos 3:27, e vai até 3:56.

* Cornucopia: uma das músicas mais pesadas do álbum, tem letras que falam de insanidade. No meio da música há outra tradicional mudança de ritmo, como sempre muito boa, iniciando aos 1:43, e terminando aos 2:51.

* Laguna Sunrise: belíssima balada instrumental acústica, e com orquestração (ou seriam efeitos sonoros?). Totalmente diferente do estilo Sabbath. Música inspirada na praia de Laguna Beach, na Califórnia.

* St. Vitus Dance: uma das músicas mais curtas do álbum, tem um pesado riff de guitarra. As letras tratam da desilusão amorosa de um garoto, porém um amigo dele tenta ajudá-lo.

* Under The Sun: outra das músicas mais pesadas do álbum, também progressiva, tem algumas mudanças de ritmo. As letras são anti-religiosas (e também anti-satanistas), mas pessoalmente o que mais importa é a melodia.

A parte instrumental, ao final da música, tem seu próprio título, que é Every Day Comes And Goes. Este título não aparece na maioria das edições do álbum. Eu, particularmente, acho que esta parte é a do meio da música, quando há mudança de ritmo e Ozzy começa cantando “every day comes and goes...”. Inicia aos 1:55, e termina aos 3:10.


Neste álbum, quem conhece a banda, sabe quem toca qual instrumento. Porém, aqui no Vol. 4 temos Tony Iommi tocando não apenas guitarra, como também piano e mellotron.

Vol. 4 tem cerca de 43 minutos de grande música! Não apenas o tradicional heavy metal do Sabbath, como também bonitas baladas! Só excetuaria a música FX, que é um emaranhado de sons sem nexo hehehe.

Abaixo coloco um video com a música Laguna Sunrise. No video temos belas imagens do nascer do sol, que é o que realmente a música nos passa! Aproveitem!


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