Em junho de 1972,
a banda se reuniu em Los Angeles para
começar a trabalhar em seu próximo álbum, nos estúdios Record Plant. O processo
de gravação foi cheio de problemas, muito como resultado do abuso de
substâncias ilícitas. Enquanto estava batalhando para gravar a música Cornucopia,
depois de se sentar no meio da sala, apenas se drogando, Bill Ward quase foi
demitido da banda. “Eu odiei a música, haviam alguns padrões que
eram....horríveis” disse Ward. “Eu toquei até o final, mas a reação que obtive
foi a frieza de todos. Foi como ‘Bem, vá pra casa, você não tem utilidade no
momento’. Me senti como se tivesse estragado tudo, eu estava a ponto de ser
mandado embora”.
Originalmente, o álbum chamar-se-ia ‘Snowblind’, nome de uma
música do álbum, que trata do abuso de cocaína. A gravadora mudou o título no
último minuto para Black Sabbath Vol. 4. Bill Ward disse “Não havia Volume 1, 2
ou 3, então é um título um tanto estúpido realmente”.
Black Sabbath Vol. 4 foi lançado em 25 de setembro de 1972,
e enquanto as críticas da época foram negativas, o álbum alcançou o disco de
ouro em menos de um mês, e foi o 4º lançamento consecutivo da banda a vender um
milhão de cópias nos EUA.
Apesar da montanha de cocaína usada, a banda produziu outro
álbum de primeira qualidade, que ultrapassou as fronteiras do heavy metal, e
influenciaria muitas outras bandas. Entretanto, as sementes foram plantadas
para o que eventualmente seria o fim da formação clássica do Sabbath.
Como Geezer Butler falou para a revista Guitar World, em
2001, “Sim, a cocaína estava lá. Nós fomos para L.A. e tivemos um estilo de
vida totalmente diferente. Metade do orçamento foi para a cocaína e a outra
metade foi para ver quanto tempo poderíamos ficar no estúdio. Alugamos uma casa
em Bel-Air e a libertinagem lá foi inacreditável”. Na mesma entrevista Bill
Ward disse “Sim, Vol. 4 é um ótimo álbum mas escutando ele agora, eu posso ver
como um ponto de virada para mim, onde álcool e drogas pararam de ser
divertidos”.
À época, a banda havia prometido que seu 4º álbum seria o
mais variado até então, e não desapontou. Com mais tempo no estúdio, Vol. 4 viu
a banda começando a experimentar novas coisas em seu som, como orquestração,
piano, cordas e músicas com várias partes. A música Tomorrow’s Dream foi
lançada como single – o primeiro depois de Paranoid – mas não entrou nas
paradas. É mais um álbum cheio de clássicos do Sabbath.
Após uma turnê extensa nos EUA, a banda viajou para a
Austrália pela 1ª vez em 1973, e mais tarde tocou na Europa. Algumas datas foram
gravadas para um provável álbum ao vivo, mas que não se materializou (o que só
viria a acontecer em 1980, com o Live At Last, álbum que não teve a aprovação
nem da banda, nem de Ozzy, que já estava fora do Sabbath).
A capa do álbum é uma fotografia monocromática de Ozzy
Osbourne, com as mãos para cima, tirada durante um show do Sabbath. Nas notas
do álbum, a banda agradece “the great COKE-Cola Company”, uma flagrante
referência à cocaína. Também durante essa época, o baixista Geezer Butler
ostentava um adesivo em seu contrabaixo branco, que dizia “Enjoy CoCaine”, uma
paródia do slogan “Enjoy CocaCola”. A fábrica de tênis Converse lançou uma
edição limitada de um par de tênis com a capa de Vol. 4, no ano de 2011, pelo
que vi.
Antes das músicas, contarei como conheci este álbum. Meu pai
tem 2 LP’s do Sabbath (um deles contei que é o Paranoid, no post respectivo), o
outro é justamente o Vol. 4. Adorei desde a 1ª vez que ouvi, inclusive a música
FX hehe, não sei como.
Músicas: todas elas são creditadas aos 4 membros do
Sabbath
* Wheels Of Confusion: música que abre o álbum, é
progressiva. Aliás, o heavy metal tem um pé no rock progressivo, em especial as
músicas mais longas, como esta. Se não me engano, é a 2ª música mais longa da
banda, perdendo para Megalomania (não conto a música Warning, que é uma cover,
e está no 1º álbum do Sabbath).
Provavelmente é a música do Sabbath, com Ozzy nos vocais,
que eu mais gosto. Tem grandes riffs de guitarra, é bem pesada, tem algumas
mudanças de ritmo, e a parte instrumental no final é excelente. Aliás, esta
parte instrumental (que inicia aos 5:13) tem seu próprio título, The
Straightener, e este título não aparece na maioria das edições do álbum.
* Tomorrow’s Dream: mais um grande clássico do Sabbath,
provavelmente um pouco esquecido. Música curta (tem pouco mais de 3 minutos), o
sentimento da letra é o de afastar as dores do presente e começar uma vida
nova. Na letra há a linha:
“When sadness fills my days, it’s time to turn away, and then tomorrow’s
dreams, become reality to me”
* Changes: uma bonita e triste balada, cuja letra é sobre o
final de um relacionamento entre um homem e uma mulher. Basicamente ouvimos
piano e mellotron, tocados pelo guitarrista Tony Iommi. Esta música foi uma
grande surpresa para os fãs mais radicais da banda, e foi a melhor balada até
então, em termos de sucesso. O Black Sabbath nunca tocou essa música ao vivo
nos anos 70. A
primeira vez que eles tocaram Changes ao vivo, foi nos anos 90, com Tony Martin
nos vocais.
* FX: música instrumental, nada mais é que um monte de
barulhos estranhos, em cerca de 1:40.
* Supernaut: mais uma grande música, possui riffs de
guitarra rápidos, e um grande trabalho de bateria de Bill Ward. As letras são
psicodélicas, refletindo o período que a banda vivia, em que as drogas estavam
muito presentes.
* Snowblind: grande clássico do Sabbath, a letra se refere
ao uso de cocaína. Esta música teve que ser regravada, porque na versão
original, Ozzy gritava a palavra ‘cocaine’ depois de cada verso. Na versão que
foi lançada no Vol. 4, a
palavra ‘cocaine’ é cantada quase audivelmente depois do 1º verso. Já ao vivo,
Ozzy gritaria a palavra com toda força.
Tirando este fato da letra, melodicamente é uma grande
música, com seus riffs de guitarra marcantes. E também possui uma excelente
mudança de ritmo no meio da música, que inicia aos 3:27, e vai até 3:56.
* Cornucopia: uma das músicas mais pesadas do álbum, tem
letras que falam de insanidade. No meio da música há outra tradicional mudança
de ritmo, como sempre muito boa, iniciando aos 1:43, e terminando aos 2:51.
* Laguna Sunrise: belíssima balada instrumental acústica, e
com orquestração (ou seriam efeitos sonoros?). Totalmente diferente do estilo
Sabbath. Música inspirada na praia de Laguna Beach, na Califórnia.
* St. Vitus Dance: uma das músicas mais curtas do álbum, tem
um pesado riff de guitarra. As letras tratam da desilusão amorosa de um garoto,
porém um amigo dele tenta ajudá-lo.
* Under The Sun: outra das músicas mais pesadas do álbum,
também progressiva, tem algumas mudanças de ritmo. As letras são
anti-religiosas (e também anti-satanistas), mas pessoalmente o que mais importa
é a melodia.
A parte instrumental, ao final da música, tem seu próprio
título, que é Every Day Comes And Goes. Este título não aparece na maioria das
edições do álbum. Eu, particularmente, acho que esta parte é a do meio da
música, quando há mudança de ritmo e Ozzy começa cantando “every day comes and
goes...”. Inicia aos 1:55, e termina aos 3:10.
Neste álbum, quem conhece a banda, sabe quem toca qual
instrumento. Porém, aqui no Vol. 4 temos Tony Iommi tocando não apenas
guitarra, como também piano e mellotron.
Vol. 4 tem cerca de 43 minutos de grande música! Não apenas
o tradicional heavy metal do Sabbath, como também bonitas baladas! Só
excetuaria a música FX, que é um emaranhado de sons sem nexo hehehe.
Abaixo coloco um video com a música Laguna Sunrise. No video temos belas imagens do nascer do sol, que é o que realmente a música nos passa! Aproveitem!
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