domingo, 20 de maio de 2012

Black Sabbath - Sabbath Bloody Sabbath

Após a turnê mundial de 1972-1973, do álbum Volume 4, o Black Sabbath novamente retorna a Los Angeles, na Califórnia, para começar a trabalhar no álbum seguinte. Contente com Volume 4, a banda procurou recriar a atmosfera de gravação, e retornou aos estúdios Record Plant com o engenheiro Mike Butcher.

Com as novas inovações musicais da época, a banda ficou surpresa ao ver que a sala de gravação que eles usaram previamente em Record Plant, foi substituída por um ‘sintetizador gigante’. A banda alugou uma casa em Bel Air e começou a escrever no verão de 1973, mas devido em parte ao abuso de substâncias ilícitas e fatiga, eram incapazes de completar qualquer música. “As ideias não estavam vindo do modo que apareceram no Volume 4 e realmente ficamos descontentes” disse Iommi. “Todos estavam sentados lá esperando que eu viesse com algo. Eu não conseguia pensar em nada. E se eu não viesse com algo, ninguém faria nada.”

Depois de um mês em Los Angeles sem resultado, a banda optou em retornar ao Reino Unido, onde eles alugaram o Castelo Clearwell (supostamente assombrado) na Floresta de Dean, em Gloucestershire, Inglaterra. “Nós ensaiamos nas masmorras e foi realmente assustador, mas tinha alguma atmosfera, evocava coisas, e as ideias começaram a surgir novamente”, como disse Iommi. Enquanto trabalhava na masmorra, Iommi criou o riff principal de Sabbath Bloody Sabbath, que deu o tom para o novo material.

A gravação foi completada nos estúdios Morgan em Willesden, norte de Londres, em 1973, e Sabbath Bloody Sabbath foi um dos álbuns com o processo de gravação mais longos de toda a história da banda. A banda usou pela primeira vez em gravação um sintetizador.  A banda, acostumada a gravar álbuns em poucos meses, ou mesmo semanas, sentiu o peso da demora. Um fato curioso sobre o disco é que, segundo Tony Iommi, o uso abusivo de drogas e álcool e o isolamento da banda é que inspirou o clima de músicas como Sabbath Bloody Sabbath e Killing Yourself to Live, e provocou as freqüentes aparições de fantasmas, poltergeist e outros fenômenos sobrenaturais que ocorriam nas masmorras onde a banda ensaiou.

O tecladista Rick Wakeman da banda Yes (que estava gravando o álbum Tales From Topographic Oceans com o Yes em estúdio próximo) foi trazido como músico convidado, aparecendo na música Sabbra Cadabra, e pelo que li, também aparece na música Who Are You?.

Construídas das mudanças estilísticas introduzidas no Volume 4, as novas músicas incorporaram sintetizadores, cordas, teclados e arranjos mais complexos, ao tradicional som pesado do Sabbath. O álbum mostra um Sabbath sem medo de experimentar.  Por exemplo em "Who Are You?", o uso de teclados e sintetizador, em "Looking For Today" o uso da flauta, e em "Fluff", o uso do cravo.  O álbum também revela um lado bastante introspectivo da banda: o lado acústico, como em "Sabbath Bloody Sabbath", “Fluff” e "Looking For Today". O álbum tem uma atmosfera muito mais caracterizada pelo rock progressivo que seu antecessor Black Sabbath Vol. 4, e é considerado por muitos o auge do amadurecimento da banda.

Sabbra Cadabra e Who Are You? utilizam o sintetizador Moog, um instrumento comum no rock progressivo da época. As letras de algumas músicas do álbum foram escritas sobre problemas que ocorriam na banda à época.

Drew Struzan foi o artista requisitado para fazer a capa do álbum, sob a direção de Ernie Cefalu. Retrata um homem em uma cama, aparentemente tenho um pesadelo ou visão em que ele está sendo atacado por demônios em forma humana. No topo da cama está uma grande caveira com braços longos e estendidos e o número 666 (o número da besta) escrito abaixo da caveira. Na contracapa do álbum está o oposto da capa (que eu coloquei aqui ao lado).  
O tipógrafo Geoff Halpin foi quem fez as letras meio góticas, com os “S” em destaque, dando uma imagem teutônica (germânica) à capa.

O Black Sabbath lançou Sabbath Bloody Sabbath, seu 5º álbum, em 1º de dezembro de 1973. Pela primeira vez na sua carreira, a banda começou a receber comentários favoráveis da imprensa, como por exemplo a Rolling Stone, que chamou o álbum de “nada menos que um completo sucesso”. O álbum marcou o 5º álbum consecutivo de platina nos Estados Unidos, para a banda. Chegou ao nº 4 nas paradas do Reino Unido, e ao nº 7 nos Estados Unidos. No Reino Unido, foi o primeiro álbum do Sabbath a conseguir certificação de prata (60 mil unidades vendidas) pela indústria fonográfica britânica, feito alcançado em fevereiro de 1975.

A banda começou uma turnê mundial em janeiro de 1974, que culminou com o festival California Jam, em Ontario, Califórnia, em 6 de abril de 1974. O Black Sabbath estava meio relutante em participar do festival, mas a ameaça de serem processados em 100 mil dólares, fez com que a banda participasse. Atraindo mais de 200 mil fãs, o Black Sabbath apareceu ao lado de outros gigantes do rock e pop dos anos 70, como Emerson, Lake & Palmer, Deep Purple, Earth, Wind & Fire e Eagles. Partes do show foram transmitidas pela rede de tv ABC nos Estados Unidos, expondo a banda a uma maior audiência americana.

No mesmo ano, a banda trocou seu empresário, assinando com o notório empresário inglês Don Arden. Essa mudança causou uma disputa contratual com o empresário anterior da banda, e enquanto fazendo shows nos Estados Unidos, Osbourne recebeu uma intimação que levou a 2 anos de processo.

Antes de passar às músicas, conto como conheci este clássico do rock! Já escrevi outras vezes sobre meu falecido ex-vizinho Jordane (ou Jordani), ele tinha vários cd’s do Sabbath. Dentre eles estava o Sabbath Bloody Sabbath, que emprestei. Desde a 1ª audição, adorei! Aliás, quem adora rock, não tem como não gostar!

Todas as músicas foram escritas pelos 4 membros.

* Sabbath Bloody Sabbath: é a faixa de abertura do álbum. O riff principal da música foi reconhecido como o “riff que salvou o Black Sabbath”, porque na época Tony Iommi estava sofrendo de ‘writer’s block’ (talvez por falta de inspiração ou criatividade).
O título foi retirado de uma manchete do jornal Melody Maker. A música é uma perfeita mistura do heavy metal com uma parte acústica, quebrando o peso, o que a torna uma excelente música.
Mesmo sendo uma das melhores músicas de toda a história da banda, ela foi aos poucos sendo retirada dos sets do Sabbath, nos shows. Foi raramente tocada nos anos 70, e quando a banda se reuniu (em 1998), eles só tocaram a primeira metade da música, não sendo cantados os 2 versos finais. Em 2000, foi inteiramente retirada do set, emergindo poucos anos depois quando a banda tocou o riff poucas vezes como introdução a Paranoid.
Sabbath Bloody Sabbath foi coverizada por Bruce Dickinson com a banda Godspeed, no álbum tributo Nativity In Black, de 1994. O Anthrax também fez cover, e esta versão aparece no EP I’m The Man. Outra banda que também fez cover de Bloody Sabbath foi o Cardigans, em 1994, no álbum Emmerdale.

* A National Acrobat: tem um riff de abertura harmonizado, de tempo médio, um riff psicodélico (com efeito wah wah) no meio da música, e um solo clássico de Tony Iommi.
Chega-se a ouvir 4 guitarras na música. Algumas partes da letra tratam a respeito da nossa existência terrena e da vida que virá após a morte! Uma das melhores partes da letra está nas linhas: "Just remember love is life and hate is living death / Treat your life for what it's worth and live for every breath"
O Metallica fez cover desta música, no álbum Garage Inc., de 1998, que é parte de uma medley com Sabbra Cadabra. A música foi também coverizada em estilo medieval, pela banda estoniana Rondellus, no seu álbum tributo Sabbatum. Na sua versão as letras foram traduzidas para o latim, e o nome da música passou a ser ‘Funambulus Domesticus’. Quem também coverizou foi banda gótica medieval alemã Sopor Aeternus and The Ensemble of Shadows, que está na sua compilação “Jekura-Deep the Eternal Forest”, e o nome da música passou a ser “Tabor C’alan O’itana”, que é o título original (A National Acrobat) ao contrário.

* Fluff: com a experimentação que o Black Sabbath vinha fazendo, o álbum Sabbath Bloody Sabbath não estaria completo sem uma bela música acústica, o que é o caso de Fluff! Música instrumental, perfeita para relaxar.
Tony Iommi tocou quase todos os instrumentos aqui.

* Sabbra Cadabra: é puro rock’n’roll, e pouco tempo após a gravação no álbum, esta música já seria incluída no set list dos shows da banda. Há uma variedade de tons de guitarra muito bem arranjados.
A letra é do ponto de vista de um homem, que é completamente apaixonado por sua garota. Um fato engraçado é que a 1ª vez que vi este cd, numa antiga locadora de cd’s aqui na minha cidade (que já não existe mais), quando vi o nome da música Sabbra Cadabra, pensei que fosse algo macabro ou do gênero hehehe.
No meio da música há uma quebra de ritmo (por 1:58), e aparece Rick Wakeman no piano e sintetizador.

* Killing Yourself To Live: foi escrita pelo baixista Geezer Butler, enquanto estava no hospital por problemas no rim causados por bebedeira excessiva. O baterista Bill Ward também estava sofrendo do consumo excessivo de álcool, e a música reflete os problemas causados pelos seus estilos de vida “extremos”. Uma encarnação anterior da música pode ser ouvida nos álbuns Live At Last e Past Lives.
Música muito bem escrita, e é progressiva, com algumas mudanças de ritmo, muito legais por sinal. Há uma perfeita sincronia entre os 4 membros da banda.
A música Killing Yourself To Live compreende uma suite de 3 músicas: Killing Yourself To Live, You Think That I’m Crazy (começa aos 2:44) e I Don’t Know If I’m Up Or Down (começa aos 4:06). Enquanto o 2º e 3º títulos não estão indicados no álbum, as músicas têm direitos autorais separados, registrados pela banda, e partituras para cada como sendo títulos individuais.

* Who Are You?: esta foi a 1ª música do Sabbath escrita primeiramente por Ozzy (letras e o riff principal). Ozzy se utilizou de um pequeno sintetizador ao escrevê-la, e é na verdade uma das músicas que mais soa “do mal” no álbum. A combinação de sintetizador e o baixo distorcido de Geezer faz esta música perfeita para um filme de terror. Novamente temos a aparição de Rick Wakeman, no sintetizador e piano.

* Looking For Today: essa música soa um tanto alegre, após a música anterior. Looking For Today está mais próxima do hard rock, e temos até palmas na música (pelos 4 músicos do Sabbath).
Novamente temos uma parte acústica aqui, logo antes do refrão (na chamada ‘bridge’), com a adição da flauta, tocada pelo guitarrista Tony Iommi.

* Spiral Architect: música que fecha o álbum. Possui uma introdução de violão, e é com certeza uma das músicas com composição e arranjos mais maduros da carreira da banda.
Temos uma das melhores performances vocais de Ozzy em sua carreira. O arranjo de cordas de Will Malone é muito bonito e dá um toque de perfeição à música.
O final é emblemático, com os sons de palmas, como que se estivessem aplaudindo o álbum. Nem precisava disto, pois estamos diante de um grande clássico do rock de todos os tempos! Um álbum obrigatório na coleção de qualquer amante do rock!

Quem toca o quê no álbum:

Ozzy Osbourne – vocais, sintetizador
Tony Iommi – todas as guitarras, violão, piano, sintetizador, órgão, flauta em “Looking For Today”, cravo em “Fluff”, gaita de foles em “Spiral Architect”
Geezer Butler – baixo, sintetizador, mellotron, fuzz bass em “Sabbath Bloody Sabbath” e “Who Are You?”
Bill Ward – bateria, tímpano, bongos em "Sabbath Bloody Sabbath", fuzz bass-drum em “Spiral Architect”
Rick Wakeman – teclados, sintetizador, piano em "Sabbra Cadabra" e “Who Are You?”
Will Malone – condutor e arranjador do The Phantom Fiddlers em “Spiral Architect”

Logo abaixo coloco um vídeo com belas imagens, ao som da música Fluff! A melodia remete a belas imagens mesmo!


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